Um comando armado atacou esta manhã, com um carro armadilhado e lança-granadas, o terceiro maior quartel da NATO no Afeganistão. O perímetro de segurança da base de Jalalabad, no Leste do país, não foi quebrado, mas a acção veio dar razão ao general David Petraeus que alertou, na véspera, para uma maior sofisticação da guerrilha.
Esta é “uma rebelião de dimensão industrial” – com ataques mais complexos e arrojados – explicou o general escolhido para substituir o demitido Stanley McChrystal no comando das forças internacionais e cuja nomeação foi hoje aprovada pelo Senado.
O ataque em Jalalabad foi disso exemplo: pelas 07h30 um carro explodiu junto ao portão principal, ao mesmo tempo que homens armados atacavam, de diferentes pontos, a base – que é simultaneamente aquartelamento e aeroporto.
Um porta-voz da NATO revelou que “vários atacantes” foram mortos (oito, segundo a AP), e dois militares ficaram feridos. Pouco depois, Zabiullah Mujahidin, habitual representante dos taliban, reivindicou a acção, dizendo que os rebeldes tinham infligido 20 baixas à ISAF.
Mesmo sem conseguirem entrar na base, os taliban voltaram a fazer nova demonstração de força, no final do pior mês para as forças internacionais desde 2001. Segundo números ainda provisórios, 102 soldados perderam a vida no Afeganistão em Junho, um nível próximo do registado no Iraque no auge da violência sectária.
E as previsões para os próximos meses são sombrias. Petraeus admitiu no Senado que este será um Verão de “duros combates”no país, o que resultará inevitavelmente num aumento das baixas. É essa também a previsão do secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, que num briefing em Bruxelas com jornalistas portugueses atribuiu o aumento da violência ao reforço da ISAF em Helmand e Kandahar: “Estamos a atacar o coração dos taliban e eles sabem que se perderem ali, perdem definitivamente.”
Rasmussen garante, porém, que a ISAF está a fazer progressos no terreno e dá como exemplo a operação em Marja – “o distrito foi libertado” e a “actividade económica tem aumentado” –, ainda que o retrato feito pelos habitantes e militares no terreno seja mais pessimista.
O secretário-geral espera, por isso, que na cimeira de Novembro a NATO esteja em condições de “anunciar o início da transição gradual das responsabilidades de segurança” para as forças afegãs, a começar pelas províncias consideradas mais seguras. Um processo que a NATO garante estar dependente da situação no terreno e não de um calendário fixo para a retirada, que vários países vão iniciar em breve.