Um medicamento experimental fabricado à base de um vírus encontrado nos sistemas respiratório e gástrico dos humanos está a alcançar resultados positivos no combate de alguns tipos de cancro, mesmo que estejam em estado avançado.
Segundo a revista "Clinical Cancer Research", os tumores tratados com o reovírus - grupo de vírus formado por ARN, o ácido ribonucleico, e que é o causador de constipações e gastroenterites - em conjugação com radioterapia pararam de crescer ou diminuíram de tamanho.
Os investigadores britânicos, do Instituto de Investigação do Cancro, de Londres, ficaram entusiasmados com o facto deste novo fármaco (o Reolysin, que está a ser desenvolvido pela Oncolytics Biotech) ter actuado nos 23 pacientes submetidos ao ensaio e que tinham cancros de diferente tipo, como do pulmão, intestino, ovários e pele.
Estes doentes tinham em comum o facto de já não responderem positivamente aos tratamentos, sentindo apenas algum alívio para a dor com a radioterapia. A utilização do Reolysin, que é directamente injectado nos tumores, não provocou efeitos secundários significativos além dos típicos da radioterapia.
"A ausência de qualquer efeito secundário significativo neste estudo é extremamente tranquilizadora para futuros ensaios em pacientes que recebam tratamento por radioterapia para curar o seu cancro", afirmou o coordenador do estudo, Kevin Harrigton.